Mercado imobiliário em expansão: por que a marca também precisa fazer parte desse crescimento
O mercado imobiliário brasileiro atravessa um período de forte atividade. Novos empreendimentos continuam surgindo em diferentes regiões do país, enquanto construtoras, incorporadoras, imobiliárias, escritórios de arquitetura e empresas de engenharia disputam espaço em um setor que movimenta grandes investimentos e no qual confiança e reputação possuem um peso enorme na decisão do consumidor.
Construir e comercializar um empreendimento exige planejamento, estudos de viabilidade, projetos, contratos, licenças, fornecedores, estratégias comerciais e uma série de decisões que podem envolver milhões de reais. Justamente por trabalhar com patrimônios de alto valor, o mercado imobiliário desenvolveu uma forte cultura de segurança jurídica. Contratos são cuidadosamente elaborados, riscos são analisados e cada etapa de uma operação costuma receber atenção especial. Entretanto, existe um patrimônio que nem sempre recebe o mesmo cuidado: a marca da empresa.
Mais de 470 mil unidades lançadas em apenas um ano
Os números ajudam a dimensionar o tamanho desse mercado. Segundo os Indicadores Imobiliários Nacionais divulgados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), 471.769 unidades foram lançadas no Brasil em 2025, crescimento de 13,88% em relação ao período anterior considerado pelo levantamento. No mesmo período, 433.681 unidades foram comercializadas, com avanço de 7,18%.
O desempenho positivo continuou em 2026. No primeiro semestre, foram comercializadas 226.536 unidades residenciais novas, crescimento de 5,4% em comparação com o mesmo período de 2025. São números que mostram não apenas a dimensão da atividade imobiliária, mas também a quantidade de empresas, profissionais, fornecedores e marcas que participam desse mercado.
Cada novo empreendimento movimenta uma cadeia muito maior do que a construção propriamente dita. Incorporadoras, construtoras, imobiliárias, arquitetos, engenheiros, corretores, administradoras e diversos prestadores de serviços participam direta ou indiretamente dessas operações, aumentando também a concorrência entre empresas que precisam conquistar a confiança de um consumidor cada vez mais informado.
A construção também está entre os setores que mais geram empregos
Outro indicador importante aparece na geração de empregos. Segundo a CBIC, com base nos dados do Novo Caged, a construção criou 143.547 empregos formais nos quatro primeiros meses de 2026, correspondendo a 20,51% das vagas geradas no Brasil naquele período. Somente em abril foram criados 23.525 novos postos de trabalho, fazendo da construção o segundo setor que mais gerou empregos formais no país naquele mês.
O crescimento de um mercado dessa dimensão naturalmente aumenta a competição. Empresas consolidadas ampliam sua atuação, novos negócios surgem e profissionais passam a disputar consumidores em um ambiente no qual preço e localização não são os únicos fatores considerados. Para quem está comprando um imóvel ou contratando um projeto, a reputação da empresa responsável pode ter um peso decisivo.
No mercado imobiliário, confiança também tem nome
Comprar um imóvel representa, para muitas pessoas, uma das maiores decisões financeiras da vida. Por isso, antes de fechar negócio, o consumidor tende a pesquisar quem está por trás daquele empreendimento, quais projetos a empresa já entregou, como outros compradores avaliam sua atuação e qual reputação ela construiu ao longo dos anos.
É nesse processo que o nome de uma construtora, incorporadora ou imobiliária deixa de ser apenas uma identificação comercial. Com o tempo, ele passa a concentrar experiências, recomendações, empreendimentos entregues e toda a credibilidade construída pela empresa. Quando o consumidor reconhece determinado nome e imediatamente o associa a qualidade, segurança ou a um padrão específico de empreendimento, existe ali um ativo que pode ter grande valor para o negócio.
Essa construção não acontece rapidamente. Muitas empresas levam anos para alcançar reconhecimento em uma cidade ou região, investindo continuamente em publicidade, fachadas, placas de obras, redes sociais, sites, materiais comerciais e relacionamento com clientes. Justamente por isso, é importante analisar se o nome que concentra todo esse investimento também está juridicamente protegido.
Empresas protegem imóveis de milhões, mas podem deixar a própria marca vulnerável
Existe uma situação curiosa no mercado imobiliário. Uma incorporadora pode movimentar milhões de reais em um único projeto e contar com contratos extremamente detalhados para reduzir riscos em praticamente todas as etapas da operação. Uma construtora pode contratar advogados, engenheiros e consultores especializados antes de iniciar um empreendimento. Uma imobiliária pode estabelecer procedimentos rigorosos para documentar cada negociação. Ainda assim, essas mesmas empresas podem utilizar durante anos uma marca que nunca foi registrada perante o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
Ter um CNPJ, possuir um nome empresarial registrado, manter um domínio na internet ou utilizar determinado nome nas redes sociais não produz os mesmos efeitos jurídicos de um registro de marca. De acordo com a regra geral prevista no artigo 129 da Lei da Propriedade Industrial, a propriedade da marca é adquirida pelo registro validamente expedido pelo INPI, assegurando ao titular seu uso exclusivo em todo o território nacional, observadas as disposições da própria legislação.
Essa diferença se torna especialmente relevante quando a empresa cresce. Uma marca que começou pequena e conhecida apenas localmente pode, alguns anos depois, estar estampada em diversos empreendimentos, placas, veículos, anúncios e materiais comerciais. Se nesse momento surgir um conflito com direitos anteriores de terceiros, o impacto potencial será muito maior do que teria sido no início da operação.
O custo de mudar um nome cresce junto com a empresa
Quando uma empresa ainda está começando, uma eventual mudança de nome pode ser trabalhosa, mas tende a envolver uma estrutura menor. Depois de anos de mercado, a situação pode ser completamente diferente. O nome pode estar presente em fachadas, placas de obras, uniformes, veículos, documentos, sites, redes sociais, anúncios e materiais comerciais, além de já fazer parte da memória dos clientes.
Dependendo das circunstâncias e dos direitos existentes, conflitos envolvendo marcas podem resultar em oposições e disputas administrativas perante o INPI ou discussões judiciais relacionadas ao uso daquele sinal. Por isso, descobrir previamente que existem obstáculos para determinada marca é muito diferente de enfrentar essa situação depois que milhões de reais já foram movimentados sob aquele nome.
Uma pesquisa de viabilidade realizada antes do pedido pode identificar registros e pedidos anteriores potencialmente relevantes e ajudar na avaliação dos riscos. Essa análise não representa garantia de concessão, pois a decisão final caberá ao INPI, mas permite que o empresário tome decisões mais informadas antes de realizar grandes investimentos em sua identidade.
Na Registratta, essa análise faz parte do trabalho que antecede o protocolo, justamente porque o momento de avaliar os riscos de uma marca é preferencialmente antes de ela ganhar mercado, e não depois.
Os nomes dos empreendimentos também merecem atenção
A questão se torna ainda mais interessante quando observamos que muitas empresas do mercado imobiliário não trabalham apenas com uma marca institucional. Construtoras e incorporadoras frequentemente criam nomes próprios para condomínios, loteamentos, edifícios e outros empreendimentos, cada um deles acompanhado de identidade visual, campanhas publicitárias, sites, redes sociais e investimentos de lançamento.
Dependendo da maneira como esses nomes são utilizados e da função que exercem, pode ser importante avaliar sua disponibilidade e eventual proteção marcária. Isso ganha ainda mais relevância quando determinado nome deixa de identificar apenas um projeto isolado e passa a fazer parte de uma linha de empreendimentos, de um conceito comercial recorrente ou de uma estratégia que a empresa pretende continuar utilizando no futuro.
Antes de investir no lançamento de um novo nome, portanto, é recomendável verificar se existem pedidos ou registros anteriores que possam representar obstáculos. A escolha de um nome para um empreendimento não deveria considerar apenas criatividade, disponibilidade do domínio ou impacto publicitário, mas também os possíveis direitos de terceiros.
Imobiliárias, arquitetos e empresas de engenharia também constroem marcas
A necessidade de atenção à marca não está restrita às grandes incorporadoras. Uma imobiliária pode passar décadas construindo reconhecimento em determinada região. Um escritório de arquitetura pode desenvolver um estilo reconhecido pelo mercado e transformar o nome de seus fundadores em uma referência. Empresas de engenharia, administração de condomínios e outros prestadores de serviços também podem construir reputações valiosas ao redor de suas marcas.
A expansão dos negócios digitais tornou esse cuidado ainda mais relevante. Empresas que anteriormente competiam apenas dentro de uma cidade hoje aparecem lado a lado em mecanismos de busca, redes sociais e plataformas especializadas. Escritórios atendem clientes de diferentes estados, imobiliárias anunciam imóveis para consumidores de todo o país e construtoras expandem suas operações para novos municípios.
Nesse contexto, acreditar que a existência de outra empresa com nome semelhante não representa preocupação apenas porque ela está localizada em outro estado pode ser um erro. O registro concedido pelo INPI possui alcance nacional, dentro dos limites da proteção conferida e das regras aplicáveis a cada caso.
Segurança jurídica também deve alcançar a marca
O mercado imobiliário está acostumado a falar sobre patrimônio. Imóveis são registrados, contratos são analisados, operações passam por due diligence e investimentos são cercados de mecanismos para reduzir riscos. A marca, entretanto, também pode se transformar em patrimônio e concentrar parte significativa da reputação construída por uma empresa.
Os números recentes mostram um setor que continua movimentando centenas de milhares de unidades imobiliárias e gerando milhares de empregos. Quanto maior o mercado, maior também é a quantidade de empresas disputando espaço, nomes, consumidores e reconhecimento. Nesse ambiente, construir uma marca forte pode representar uma importante vantagem competitiva, mas construir essa reputação sem avaliar sua proteção significa assumir um risco desnecessário.
Por isso, a pesquisa de viabilidade e o registro da marca deveriam fazer parte do planejamento de construtoras, incorporadoras, imobiliárias, escritórios de arquitetura e demais empresas do segmento desde as primeiras etapas de construção de sua identidade.
A Registratta realiza pesquisas de viabilidade e acompanha processos de registro de marcas perante o INPI para empresas do mercado imobiliário, auxiliando na proteção das identidades comerciais que essas organizações constroem ao longo dos anos. Afinal, em um setor no qual proteger patrimônio faz parte da rotina, a marca também merece estar entre os ativos que recebem atenção.
Referências
Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Indicadores Imobiliários Nacionais, dados sobre lançamentos e vendas de imóveis em 2025 e 2026.
Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Dados do Novo Caged sobre geração de empregos formais na construção em 2026.
Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged).
Brasil. Lei nº 9.279, de 14 de maio de 1996. Lei da Propriedade Industrial, especialmente o artigo 129.
Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Manual de Marcas.