O mercado de restaurantes, bares, cafeterias, hamburguerias, pizzarias, food trucks e outros negócios da gastronomia continua entre os mais importantes da economia brasileira. Todos os anos, milhares de empreendedores investem no sonho de abrir um estabelecimento próprio, impulsionados por um setor que movimenta bilhões de reais e continua apresentando oportunidades de crescimento.
Muito além de vender refeições, esses negócios oferecem experiências. A qualidade da comida continua sendo essencial, mas fatores como atendimento, ambiente, identidade visual e reconhecimento da marca passaram a influenciar diretamente a decisão do consumidor.
Ao mesmo tempo em que surgem novas oportunidades, aumenta também a concorrência. E, com ela, cresce a importância de construir uma identidade forte e protegê-la adequadamente.
Um dos maiores setores da economia brasileira
A gastronomia é um dos motores do comércio e dos serviços no Brasil.
Segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), o país possui aproximadamente 1,37 milhão de estabelecimentos que compõem o mercado de alimentação fora do lar, incluindo restaurantes, bares, lanchonetes e negócios similares.
Além de movimentar bilhões de reais todos os anos, esse segmento é um dos maiores empregadores do país e continua recebendo investimentos impulsionados pela retomada do turismo, pela expansão das franquias, pela inovação na gastronomia e pelo crescimento dos serviços de entrega.
Esse cenário ajuda a explicar por que milhares de novos negócios são inaugurados anualmente em todo o Brasil.
A concorrência nunca foi tão intensa
Hoje o consumidor possui inúmeras opções para cada refeição.
Em praticamente todas as cidades existem restaurantes oferecendo culinárias semelhantes, disputando espaço nas redes sociais, nos mecanismos de busca, nos aplicativos de entrega e nas indicações feitas pelos próprios clientes.
Além dos estabelecimentos tradicionais, cresceram também modelos como dark kitchens, cozinhas compartilhadas e food trucks, ampliando ainda mais a competitividade.
Nesse cenário, oferecer boa comida já não é suficiente.
Também é necessário construir uma identidade capaz de transmitir confiança e ser facilmente lembrada pelo consumidor.
O delivery mudou a forma como o consumidor escolhe onde comer
Nos últimos anos, o delivery deixou de ser um serviço complementar para se tornar um dos principais canais de venda do mercado gastronômico.
Impulsionado pela consolidação dos aplicativos de entrega, esse modelo permitiu que restaurantes alcançassem clientes muito além de sua região de atuação.
Ao mesmo tempo, ampliou significativamente a concorrência.
Hoje, em poucos segundos, um consumidor consegue comparar dezenas de estabelecimentos analisando preços, avaliações, tempo estimado de entrega, fotos dos pratos e, principalmente, o nome da empresa.
Nesse ambiente digital, a marca ganha ainda mais importância.
Muitas pessoas escolhem um restaurante porque já conhecem seu nome, lembram de uma experiência positiva ou confiam na reputação construída ao longo do tempo.
As dark kitchens também contribuíram para essa transformação. Muitas operam diversas marcas utilizando uma única estrutura de cozinha, aumentando a oferta disponível nos aplicativos e tornando a disputa pela atenção do consumidor ainda maior.
O nome do estabelecimento pode valer tanto quanto a comida
Quando um restaurante conquista clientes, seu nome passa a representar muito mais do que uma simples identificação comercial.
Ele aparece na fachada, nas embalagens, nos uniformes, nos aplicativos de entrega, nas redes sociais, nos cardápios, nas avaliações online e nas recomendações feitas pelos próprios consumidores.
Com o tempo, esse nome passa a concentrar toda a reputação construída pelo negócio.
É justamente por isso que a marca se transforma em um dos ativos mais importantes da empresa.
Crescer sem proteger a marca pode gerar prejuízos
É comum que empreendedores invistam valores expressivos em decoração, identidade visual, embalagens, cardápios, marketing, anúncios e presença digital.
Entretanto, muitos deixam para pensar no registro da marca somente quando o restaurante já está consolidado. Esse atraso pode trazer consequências importantes.
Caso exista um registro anterior ou um direito de terceiro sobre marca semelhante para atividades relacionadas, o estabelecimento poderá enfrentar disputas administrativas perante o INPI ou processos judiciais, podendo ser obrigado a deixar de utilizar aquele nome.
Além da troca da fachada, normalmente será necessário alterar cardápios, embalagens, uniformes, perfis nas redes sociais, materiais publicitários, veículos e diversos outros elementos que fazem parte da identidade construída ao longo dos anos.
Ter um CNPJ ou vender por aplicativos não garante exclusividade
Muitos empresários acreditam que possuir um CNPJ, registrar um domínio na internet ou manter perfis nas redes sociais significa que sua marca já está protegida.
O mesmo equívoco acontece com quem vende em aplicativos de delivery e imagina que utilizar determinado nome na plataforma garante exclusividade. Na prática, isso não acontece.
De acordo com a regra geral prevista na Lei da Propriedade Industrial (Lei nº 9.279/96), o direito de uso exclusivo sobre uma marca é adquirido mediante o registro validamente concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), observadas as condições estabelecidas pela legislação.
Muitos negócios possuem mais de uma marca
É comum que um mesmo empresário desenvolva diferentes operações utilizando nomes distintos.
Uma hamburgueria pode criar uma marca exclusiva para delivery, lançar uma linha própria de molhos, abrir uma cafeteria, desenvolver uma pizzaria ou criar uma nova operação gastronômica voltada para outro público.
Cada um desses nomes pode representar um ativo importante para o negócio.
Por isso, é recomendável avaliar quais sinais distintivos realmente exercem função de marca e se há interesse estratégico em protegê-los perante o INPI.
Crescer com segurança exige planejamento
O mercado da gastronomia continuará oferecendo excelentes oportunidades para quem deseja empreender.
Ao mesmo tempo, a concorrência tende a permanecer elevada e a disputa pela atenção do consumidor continuará aumentando, principalmente no ambiente digital. Construir uma boa reputação leva tempo.
Por isso, antes de investir na divulgação do negócio, ampliar unidades ou fortalecer sua presença no mercado, é recomendável realizar uma pesquisa de viabilidade e avaliar a possibilidade de registrar a marca perante o INPI.
A Registratta auxilia restaurantes, bares, cafeterias, hamburguerias, pizzarias, food trucks, confeitarias, docerias e demais empresas do setor na realização de pesquisas de viabilidade e na condução dos processos de registro de marcas perante o INPI, contribuindo para que esses negócios desenvolvam sua identidade comercial com maior segurança jurídica.
Referências
Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). Dados sobre o número de estabelecimentos do setor e pesquisas de conjuntura econômica.
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pesquisa Mensal de Serviços.
Lei nº 9.279/1996. Lei da Propriedade Industrial.